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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Descrição de um amor colorido.

Certa vez, meu primo (Marcus) pediu que eu o descrevesse. Eu não tinha a mínima idéia de como fazer isso. Foi então que lembrei-me de uma vez, quando ele me perguntou de que cor estava meu dia, ao invés de perguntar: tudo bem? Usando essa idéia (das cores e tal) eu resolvi escrever esse texto para ele...


Ele tinha nos olhos a clareza e a inocência de quem é só. Porque não importava por quantos milhões de pessoas ele estava cercado, ele ainda se sentia só. Aprendeu a construir uma cápsula protetora em torno de si, e a usava para não ser notado. Desde sempre aprendeu a procurar felicidade na companhia dos poucos amigos. Tinha um costume (estranho) de ver o mundo, as pessoas e os sentimentos através das cores. Depois fui eu quem passou a ver dessa forma. Ele era estranhamente amável, e mesmo que distante, transmitia uma alegria infantil, alaranjada. Trazia consigo uma paciência inquestionável, a qual me lembrava à cor azul, que combinada com o amarelo da inteligência resultava em um verde encantador. Tantas vezes contou-me sobre um amor rosa, platônico, e percebeu, por conta própria, que este não era mais necessário, guardou a cor em lugar seguro. O cinza era uma cor muito comum no dia-a-dia dele, e tenho que confessar, no meu também. Costumava variar os tons, de claro à escuro, de acordo com o tamanho do vazio que a saudade fazia em nós. Nos dias mais rotineiros, ao invés de se contentar com o marrom, gostava de extravasar no roxo e vermelho, já que quando via essas cores os melhores sentimentos se alojavam nele. Quando eu olhava para ele, nunca conseguia enxergar o preto do ódio, do rancor, ainda bem. O preto absorve todos os outros sentimentos. No entanto, mesmo diante de todo esse sincretismo espetacular de cores, ele se sentia invisível aos olhos dos demais, como se não tivesse cor. O que ele não sabe, é que eu o vejo como um espectro, uma aquarela de cores inefáveis.


Por Luana Leitte.

(Um dos) dons de Victória.


Uma das obras fotográficas da VICTORIA ROCHA.
Essa minha amiga me da um orgulho danado! <3