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terça-feira, 20 de abril de 2010

Cansaço.

Cansei do amor. Da falsa sensação de felicidade, que só dura alguns minutos e depois se vai. Cansei das horas de aflição, esperando ligações, mensagens ou sinais de fumaça. Do brilho nos olhos, do coração acelerado, das mãos suando. Cansei de esperar o amor. Cansei de tentar encontrar amor em pessoas que não amavam nem a si mesmas. E quanto mais eu cansava, mais o tal do amor ia passando por mim, e eu nem percebia. Até que um dia, acompanhando com os olhos as gotas de chuva que corriam pela janela, eu senti o vazio. O vazio que o amor tinha deixado em mim. E aquilo me corroeu de acordo com a intensidade da chuva lá fora. Quando me dei conta, a chuva estava em mim, mesmo com as janelas fechadas. Então senti a necessidade do amor, porém já era tarde. O amor havia cansado de mim.

Luana Leitte.
Minha cabeça não sabe mais até quando serei capaz de agüentar toda essa pressão. Até quando serei capaz de evitar o ápice do desespero e minha vontade de auto-destruição. Os dias passam, e a confusão interna se torna cada vez mais explosiva, como se a qualquer momento os sentimentos bons e ruins fossem sofrer algum tipo de reação e se misturar, sem que eu possa diferenciá-los novamente. É difícil para mim lidar com sentimentos depois de tanto tentar sufocá-los, esmagá-los. Lutei tanto contra, que acho que ganhei a guerra e nem percebi. Não sei mais se sigo meus pensamentos desnorteados e lunáticos, ou se sigo meu tão sofrido coração desmantelado. Por enquanto, não sigo a nada. Deixo que a razão e a emoção lutem pelo espaço dentro de mim, e sigo a esmo, a deriva, permitindo que o vazio me preencha. Afinal, o único sentimento do qual tenho plena certeza é a saudade, que de algum modo tenho tentado definir, em vão, mas ela vai ficando e crescendo. 


Luana Leitte.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Descrição de um amor colorido.

Certa vez, meu primo (Marcus) pediu que eu o descrevesse. Eu não tinha a mínima idéia de como fazer isso. Foi então que lembrei-me de uma vez, quando ele me perguntou de que cor estava meu dia, ao invés de perguntar: tudo bem? Usando essa idéia (das cores e tal) eu resolvi escrever esse texto para ele...


Ele tinha nos olhos a clareza e a inocência de quem é só. Porque não importava por quantos milhões de pessoas ele estava cercado, ele ainda se sentia só. Aprendeu a construir uma cápsula protetora em torno de si, e a usava para não ser notado. Desde sempre aprendeu a procurar felicidade na companhia dos poucos amigos. Tinha um costume (estranho) de ver o mundo, as pessoas e os sentimentos através das cores. Depois fui eu quem passou a ver dessa forma. Ele era estranhamente amável, e mesmo que distante, transmitia uma alegria infantil, alaranjada. Trazia consigo uma paciência inquestionável, a qual me lembrava à cor azul, que combinada com o amarelo da inteligência resultava em um verde encantador. Tantas vezes contou-me sobre um amor rosa, platônico, e percebeu, por conta própria, que este não era mais necessário, guardou a cor em lugar seguro. O cinza era uma cor muito comum no dia-a-dia dele, e tenho que confessar, no meu também. Costumava variar os tons, de claro à escuro, de acordo com o tamanho do vazio que a saudade fazia em nós. Nos dias mais rotineiros, ao invés de se contentar com o marrom, gostava de extravasar no roxo e vermelho, já que quando via essas cores os melhores sentimentos se alojavam nele. Quando eu olhava para ele, nunca conseguia enxergar o preto do ódio, do rancor, ainda bem. O preto absorve todos os outros sentimentos. No entanto, mesmo diante de todo esse sincretismo espetacular de cores, ele se sentia invisível aos olhos dos demais, como se não tivesse cor. O que ele não sabe, é que eu o vejo como um espectro, uma aquarela de cores inefáveis.


Por Luana Leitte.

(Um dos) dons de Victória.


Uma das obras fotográficas da VICTORIA ROCHA.
Essa minha amiga me da um orgulho danado! <3


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


É estranho descobrir que as algumas pessoas não se importam, justamente aquelas que você julgava serem as mais importantes. Às vezes, penso que seria menos angustiante ser alheio a algumas situações, não participar delas, ser como um figurante. Porém, não é possível ser uma paisagem em sua própria vida. Por mais que você se esforce para não ser notado, não se envolver com os acontecimentos, há sempre aquele que não o deixa passar despercebido, como seu irmão mais novo o denunciando por ter comido doces antes do almoço. E não adianta fazer “sshhi”, nem implorar, você será notado por alguém! Agora, cabe a você a decisão de como quer ser visto. As pessoas que não se importam, continuarão a não se importar, mas sempre há aquelas que realmente se importam, e é a essas últimas, que deve ser dada importância total e absoluta. Quando você tem carinho por alguém, você nunca acredita realmente que ela possa te enganar. Diante de todas as expectativas frustradas, e da ilusão de que algum dia as coisas possam mudar favoravelmente para mim, sigo adiante, afinal, também não me importo com tanta gente.
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luana leitte.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ele sempre chegava ao mesmo horário. Entrava no apartamento de paredes desbotadas e pendurava o chapéu e o casaco em um cabide, logo na entrada. Sem falar nada, ia até a cozinha improvisada e bebia um copo d’água. Ah! Então eu ouvia o bater de seus sapatos sociais no assoalho. Bem fracos, depois fortes, mais fortes. Dentro do quarto trancado nenhum som, apenas o gosto de esmalte vermelho em meus lábios, também vermelhos. Toc, toc, toc. Batidas na porta do quarto e um sorriso malicioso por trás dela:
- Abre logo isso, vadia! Hoje tenho que voltar mais cedo pra casa.
- O que você ainda quer? Estou de folga, vá procurar outra que o satisfaça.
Pá. Movimento brusco, e a porta abre. Era sempre assim, na noite passada eu havia atirado um jarro e ferira seu braço. O corte ainda estava lá, semi-aberto. Sabia que ele viria se vingar.
- Sua vadia, está vendo isso? Como ousas? Você teve sorte de minha mulher não ter visto isso.
E agarrou-se em meus cabelos. Senti medo e, ao mesmo tempo, um arrepio enlouquecedor. Lembrei-me da primeira vez, quando ele parara seu carro em frente ao ponto onde eu costumava ficar, e após uma noite inteira de conversa, pagou-me. Era muito sozinho. No dia seguinte, visitou-me novamente. As noites passavam muito rápido quando eu estava com ele, esquecia até que era trabalho, meu pior erro. Voltei ao presente, quando senti seus lábios tocando suavemente as concavidades de minhas orelhas, acordei.
- Por que você voltou? Ontem mesmo disse que não voltaria. Eu sabia. Não consegue mais ficar sem a loira de raízes escuras, não é? Admita que eu sou melhor.
- Você é uma vadia.
De repente, senti o arder da mão esquerda dele em meu rosto, tão quente. Lágrimas e um rosto sujo de rímel. Não consegui mais pensar depois do tapa, apenas virei e saí. Peguei uma cerveja na geladeira e fui ver televisão. Mais passos. Pegou o chapéu e o casaco e saiu. Silêncio. Em cima da mesa, um pequeno bilhete e uma caixinha prateada ao lado. Em letras garrafais estava escrito: “Você é uma vadia e, ainda assim, eu amo você.”
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Escuto barulho de passos, mas não há ninguém
O desespero começa a escorrer pelo meu suor
Sinto que estou sendo seguido
Por que você me invade?
É você que me leva além,
Além da loucura e da insanidade
Estou sendo absorvido.
Por favor, tenha dó,
Durante a sua invasão,
Eu parei de respirar.
Sua voz no meu ouvido,
E eu virando refém.
Por que você me invade?
Leva o que eu tenho de melhor
E depois me entrega à solidão.


por 0p;

domingo, 3 de janeiro de 2010


As cores se misturavam no céu quando eu te conheci e o reflexo delas nos seus olhos escuros fazia com que meu corpo se rendesse devagar. Eu sentia meu pulsar parando, juntamente à minha respiração. Não estava nada previsto, nada programado, eu não havia me preparado adequadamente para sentir meu coração bater forte outra vez. Não que eu não quisesse sentir aquela sensação maravilhosa de desnorteio, mas eu havia prometido que não sentiria. Entretanto, por mais que eu tentasse me esquivar, os seus olhos eram algo que, definitivamente, me levavam a quebrar todas as promessas feitas ou apenas pensadas, e eu quebrei. Desde então você me consome, rouba minha atenção, infiltra meus pensamentos e me hipnotiza com aqueles olhos, ah aqueles olhos. Não há ninguém no mundo todo, mais apaixonada por eles do que eu. Mesmo sabendo que não é pra mim que eles olham, não é por mim que as lágrimas que saem são derramadas, não é por me ver que eles se fecham, pressionados pelas bochechas levemente rosadas, quando a boca sorri alegremente. Sempre me lembro da primeira vez que os vi e de como a razão se esvaiu de mim. Sob aquele pôr-do-sol eu fui escravizada por olhos cor de petróleo e, não menos valiosos. Por favor, olhe para mim mais uma vez, e reflita meus olhos nos seus. Não seja covarde, apenas sinta, deixe eu hipnotizá-lo também.


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Finalmente alguma de nós tomou coragem e criou o blog, que ja havia sido pensado e repensado, idealizado e etc, há muito tempo! a n1, fotógrafa, modelo e grande amiga, é mesmo uma pessoa bem corajosa, deixou a preguiça de lado e fez o blog haha enfim, eu vou postar aqui como 0p (ideia da n1). Eu costumo escrever algumas besteiras e vou postá-las aqui. Como a n1 falou, acho que, com o tempo, vai dar pra diferenciar a gente. Pois é, deixemos de bla bla bla..

todo início é um pouco empolgante.

Eu e minha amigã escreveremos todas as nossas besteiras aqui :)
ela escreve SUPER BEM, então talvez a gente nem precise assinar, porque vai dar pra notar a diferença sabe?vocês vão babaaaaaar pelos textos dela, e pelas nossas blusas também (já que esse é o intuito principal da crianção do n10p) :D Poisé, meu forte não é dizer com palavras, e sim com imagens. Por isso vou deixar uma foto minha que amo pra vocês apreciarem (ou não) o meu dom (ou não também. Nesse caso, me avisem!)



por n1;