Ele sempre chegava ao mesmo horário. Entrava no apartamento de paredes desbotadas e pendurava o chapéu e o casaco em um cabide, logo na entrada. Sem falar nada, ia até a cozinha improvisada e bebia um copo d’água. Ah! Então eu ouvia o bater de seus sapatos sociais no assoalho. Bem fracos, depois fortes, mais fortes. Dentro do quarto trancado nenhum som, apenas o gosto de esmalte vermelho em meus lábios, também vermelhos. Toc, toc, toc. Batidas na porta do quarto e um sorriso malicioso por trás dela:
- Abre logo isso, vadia! Hoje tenho que voltar mais cedo pra casa.
- O que você ainda quer? Estou de folga, vá procurar outra que o satisfaça.
Pá. Movimento brusco, e a porta abre. Era sempre assim, na noite passada eu havia atirado um jarro e ferira seu braço. O corte ainda estava lá, semi-aberto. Sabia que ele viria se vingar.
- Sua vadia, está vendo isso? Como ousas? Você teve sorte de minha mulher não ter visto isso.
E agarrou-se em meus cabelos. Senti medo e, ao mesmo tempo, um arrepio enlouquecedor. Lembrei-me da primeira vez, quando ele parara seu carro em frente ao ponto onde eu costumava ficar, e após uma noite inteira de conversa, pagou-me. Era muito sozinho. No dia seguinte, visitou-me novamente. As noites passavam muito rápido quando eu estava com ele, esquecia até que era trabalho, meu pior erro. Voltei ao presente, quando senti seus lábios tocando suavemente as concavidades de minhas orelhas, acordei.
- Por que você voltou? Ontem mesmo disse que não voltaria. Eu sabia. Não consegue mais ficar sem a loira de raízes escuras, não é? Admita que eu sou melhor.
- Você é uma vadia.
De repente, senti o arder da mão esquerda dele em meu rosto, tão quente. Lágrimas e um rosto sujo de rímel. Não consegui mais pensar depois do tapa, apenas virei e saí. Peguei uma cerveja na geladeira e fui ver televisão. Mais passos. Pegou o chapéu e o casaco e saiu. Silêncio. Em cima da mesa, um pequeno bilhete e uma caixinha prateada ao lado. Em letras garrafais estava escrito: “Você é uma vadia e, ainda assim, eu amo você.”
- Abre logo isso, vadia! Hoje tenho que voltar mais cedo pra casa.
- O que você ainda quer? Estou de folga, vá procurar outra que o satisfaça.
Pá. Movimento brusco, e a porta abre. Era sempre assim, na noite passada eu havia atirado um jarro e ferira seu braço. O corte ainda estava lá, semi-aberto. Sabia que ele viria se vingar.
- Sua vadia, está vendo isso? Como ousas? Você teve sorte de minha mulher não ter visto isso.
E agarrou-se em meus cabelos. Senti medo e, ao mesmo tempo, um arrepio enlouquecedor. Lembrei-me da primeira vez, quando ele parara seu carro em frente ao ponto onde eu costumava ficar, e após uma noite inteira de conversa, pagou-me. Era muito sozinho. No dia seguinte, visitou-me novamente. As noites passavam muito rápido quando eu estava com ele, esquecia até que era trabalho, meu pior erro. Voltei ao presente, quando senti seus lábios tocando suavemente as concavidades de minhas orelhas, acordei.
- Por que você voltou? Ontem mesmo disse que não voltaria. Eu sabia. Não consegue mais ficar sem a loira de raízes escuras, não é? Admita que eu sou melhor.
- Você é uma vadia.
De repente, senti o arder da mão esquerda dele em meu rosto, tão quente. Lágrimas e um rosto sujo de rímel. Não consegui mais pensar depois do tapa, apenas virei e saí. Peguei uma cerveja na geladeira e fui ver televisão. Mais passos. Pegou o chapéu e o casaco e saiu. Silêncio. Em cima da mesa, um pequeno bilhete e uma caixinha prateada ao lado. Em letras garrafais estava escrito: “Você é uma vadia e, ainda assim, eu amo você.”
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esse eu conheço! :))
ResponderExcluirameei *-*
É o da "prosti" . . .
ResponderExcluirEsse eu conheço. kkkkkk. Muito massa.
ResponderExcluirQue legal! '-'
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